terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Nas Fissuras do Tempo

A vida tem me mostrado que nada é fácil. Eu sei: é difícil. Sei também que essa parede que divide nossa história, está por um triz de ser destruída – a um passo do reencontro. Não entendo por que tudo precisa ser tão complicado, mas compreendo que é preciso ter calma. Tudo no seu tempo.

 

Aprendi na caminhada que há passagens pelas quais precisamos atravessar para crescer. Só que essa demora...essa demora corrói por dentro. É preciso estar em um patamar muito alto para sobreviver a tudo isto.

 

Meus dias estão contados, e as horas não tem pena de ninguém. Correm – impiedosas. Os anos, então, nem olham para os lados. O ano começa e, quando percebo, já é fim de ano. Nesse intervalo entre um ano e o outro, sinto meus passos mais lentos.

 

Conheço as fissuras por onde o vento entra e a chuva se infiltra pelo mesmo caminho. Conheço as entranhas invisíveis, os palcos onde, além de mim, ninguém tem coragem de atuar.

 

O tempo – esse grande ator – diz que já me avisara sobre tudo. São sensações estranhas que se instalaram em mim e não querem mais partir. Pensei em levantar e seguir, mas seguir sem um plano, seria apenas mais um tropeço.

 

A vida tem um script e, de alguma forma, todos estamos tentando seguir o nosso papel. 

Rita Padoin

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