Enquanto as coisas permanecem confusas,
estendo as mãos e me esforço para entender o que possa estar acontecendo. Crio
minhas próprias expectativas dentro do espaço onde me sinto segura. São todas
as minhas loucuras presas num quarto escuro – e, por enquanto, não pretendo
soltá-las.
Em cada canto desta casa, as paredes estão
velhas e desgastadas. Preciso me organizar e compreender o que aconteceu. Encontrar
a casa neste estado me abalou demais.
Não esperava que as coisas estivessem assim
– tão desoladas, tão esquecidas, tão abandonadas. Estou tentando recolocar tudo
no seu devido lugar. Tornar o ambiente habitável, leve, respirável. Só assim
conseguirei sobreviver em meio a esse caos – nessa bagunça que ficou entre a
ida e a volta.
Há palavras soltas dentro de mim, querendo
se libertar. Há gaiolas invisíveis tentando me prender. Há lágrimas presas, desejando
sair sem ser convidadas. Quantos dias de espera...os minutos são lentos, e as
horas se arrastam como cobras rastejando pelo chão.
A vida é um estranho caminho a percorrer.
No silêncio das noites frias e intensas, sinto minhas emoções aflorarem de tal
forma que não consigo contê-las. No intervalo das minhas decisões, revivo meu
passado – ele me parece tão distante, como se eu nem tivesse passado por lá.
O meu presente, na verdade, é o que me
mantém viva, pois é nele que habito agora.
O presente vibra dentro de mim. Sinto uma
energia forte. De um lado, um sopro sussurra que preciso viver intensamente. Do
outro, meus instintos me sacolejam para que eu acorde. Mas como viver o hoje
com pendências? Com coisas que precisam ser resolvidas, com pessoas precisando
de mim?
Não há como viver como se não houvesse
amanhã se essas pendências continuam batendo à minha porta. De que adiantaria viver
com o peito apertado, com a angústia me sufocando? Não adiantaria nada. Só
consigo viver bem se eu estiver em paz.
Espero que todas essas pendências se
resolvam o quanto antes. O tempo está curto, e o tempo que me resta parece
escapar pelos dedos. Mas, se tudo se resolver logo, caberá a mim aproveitar o
pouco que resta – com leveza e com sabedoria.
Rita Padoin

Nenhum comentário:
Postar um comentário